Lançamento de livro

Capa: Marcia Azen

 

Miséria da informação: dilemas éticos da era digital (Editora Garamond, 2024) é o título do novo livro de Arthur Coelho Bezerra, pesquisador do Ibict, professor do PPGCI/Ibict-UFRJ, vice-presidente do ICIE e coordenador do Escritos. A obra conta com financiamento do Programa de Auxílio a Editoração da Faperj

 

Vendas no site da editora ou na Amazon (também em versão e-book)

 

A capa foi feita com auxílio de tecnologia digital. A imagem reproduz o cenário de terra arrasada pelo garimpo ilegal de ouro no Brasil.

O ouro é um condutor de eletricidade essencial para o funcionamento da tecnologia digital, presente em computadores, smartphones, televisores e demais transmissores de informação. Graças ao ouro e a outros minérios como o coltan, é possível não só criar estas imagens, mas também usar as redes digitais para concentrar riquezas, exercer formas de controle social e político, propagar desinformação e estimular o negacionismo científico e ambiental.

A miséria do solo é o ponto de partida e o ponto de chegada da miséria da informação.

 

Arte da capa: Marcia Azen

 

Lançamentos: o primeiro lançamento do livro ocorrerá em 1º de julho de 2024, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em Portugal, durante a programação oficial do Edicic. Ao longo do segundo semeste de 2024, o livro será lançado em diferentes cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Natal, Recife, Vitória, Aracaju, Maceió e Salvador, em eventos científicos como o 24º Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (Enancib), o 30º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD), o 10º Encontro Nacional da União Latina da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (ULEPICC-Brasil), o 2ª Evento de Ética na Pesquisa Científica da UNESP, o 16º Colóquio de Pesquisa em Ciência da Informação e o 26º Seminário de Pesquisa do Centro de Ciências Sociais Aplicada (ambos da UFRN), dentre outros. 

A agenda de lançamentos será constantemente atualizada no final desta página.

 

Sumário

  1. O dia em que a internet parou
  2. A ética do compartilhamento e o “espírito” do capitalismo digital
  3. O novo regime de informação
  4. Vigilância, expropriação e alienação de dados
  5. A mediação dos algoritmos
  6. Desinformação, ódio e negacionismos
  7. Tecnologia e precarização do trabalho
  8. Usuários improdutivos
  9. A ideologia dataísta 
  10. Lutas de classes no século XXI

 

Trecho inicial da Introdução

Tomado por seu valor de face, o ecossistema informacional de nossos dias parece ser algo revolucionário, com suas telas brilhantes, suas conexões invisíveis, seus sensores oniscientes e sua velocidade instantânea de comunicação e processamento de dados. O inovador aparato tecnológico, dotado de avançadas técnicas de organização algorítmica e representação digital da informação, se mostra capaz de trazer mais previsibilidade sobre o resultado de ações humanas, antecipar fenômenos da natureza, aumentar a eficiência de processos produtivos, ampliar potencialidades artísticas e científicas e mitigar riscos inerentes ao planejamento das mais diferentes atividades da vida, garantindo agilidade, conforto, eficácia e segurança. 

Um exame mais detalhado das atuais formas dominantes de produção, circulação e consumo de informação, no entanto, revela um grande número de dilemas éticos, resultantes das contradições que se escondem sob a fina epiderme de vidro e plástico dos aparelhos que metade da população mundial carrega no bolso. Dentre essas contradições, temos a conexão ampliada que estimula o isolamento individual; a rede social que fragmenta a esfera pública; a inteligência artificial que hipertrofia a estupidez humana; o aprendizado de máquinas que promove a ignorância de pessoas; a memória computacional que forja a amnésia cerebral; a aceleração tecnológica que aniquila o tempo livre; a flexibilização do trabalho que leva trabalhadores ao sobretrabalho; a liberdade de expressão que dá aso ao discurso de ódio; o acesso à informação que é eclipsado pelo obscurantismo negacionista; a sociedade da hiperinformação que inaugura a era da desinformação.

Todas essas contradições, que serão abordadas ao longo deste livro, estão relacionadas a um fato histórico determinante: o advento de um novo regime de informação no século XXI, no qual novas formas de produção, circulação e consumo de informação se encontram submetidas às velhas relações sociais do modo de produção capitalista, hoje metamorfoseado em sua versão digital. Trata-se de um regime que, dialeticamente, conduz à miséria da informação.

 

Orelha do livro, por Maria Nélida González de Gómez

Miséria da Informação é um texto denso e generoso, muito bem ancorado no estado atual das discussões sobre os temas abordados, e que não cede a esperança de encontrar no presente a prenhez do futuro.

Uma das principais realizações desta obra é trazer à luz, como problema de civilidade democrática e justiça social, o que aparece como um inabalável presente, reabrindo o debate sobre experiências e encaminhamentos tecnológicos em diferentes regimes de informação, que, em soma, são resultantes dos diferentes regimes de políticas. Nesse contexto, surgem questões sobre destruição das esferas digitais quase públicas pela desinformação e ações delituosas de difamação, trazendo a contraposição entre um futuro algorítmico projetado pelas Big Tech e os efeitos disruptivos da matriz energética em que se amparam.

Arthur Bezerra recupera e contextualiza os esforços latino-americanos pela atualização democrática dos marcos legais na Infoesfera, e permite conhecer as realizações e avanços nessa direção nas políticas científico-tecnológicas brasileiras.

Se significativo em qualquer área do conhecimento, o livro traz aportes diferenciais para áreas da Ciência da Informação, Comunicação, Computação, Ciências Sociais, Biblioteconomia, Documentação e Saúde, oferecendo recursos argumentativos e informacionais eficazes para educadores, em todos os níveis da formação geral e profissional, assim como para gestores e movimentos sociais. Acredito que Miséria da Informação será um recurso de leitura poderoso em cenários políticos e acadêmicos do Brasil e da América Latina.

 

Trecho do Prefácio de Marco Schneider

O novo livro de Arthur Bezerra, como manda o figurino, faz jus ao seu título, chamando nossa atenção para a miséria da informação que nos assola, contraditoriamente resultante da fartura informacional perdulária e caótica – como quase tudo sob o capitalismo é perdulário e caótico – produzida no novo regime de informação em meio ao qual vivemos. Ou sobrevivemos.

O que significa “miséria da informação”? Não tendo perguntado diretamente ao autor, arrisco: além de parafrasear conhecido título de um livro de Karl Marx (principal referência teórica de Bezerra), Miséria da Filosofia – que já no título ironiza o livro Filosofia da Miséria, de Proudhon, e no qual Marx tece uma crítica mordaz à teoria econômica do anarquista francês e a sua apropriação confusa de Hegel –, Miséria da Informação remete a uma pletora de significados da maior atualidade: à pós-verdade; às fake news; à desinformação, em todas as suas modalidades, da ignorância pura e simples, como simples ausência de informação, à ignorância deliberada e fabricada profissionalmente, que de pura não tem nada; aos discursos de ódio da extrema direita; ao revisionismo histórico; ao negacionismo científico; e, talvez por último, mas não menos importante: às velhas e novas modalidades de exploração e superexploração do trabalho, que compõem e sustentam mais direta ou indiretamente o novo regime de informação, conceito chave do livro.

Miséria da Informação tem o mérito de operar uma ótima síntese do que de principal se tem escrito e documentado ultimamente sobre a apropriação da internet por algumas poucas corporações capitalistas gigantescas, com todas as consequências conhecidas por quem estuda o tema e sentidas por bilhões de pessoas afetadas pelos processos implicados nessa apropriação. Só isso já faria deste livro leitura obrigatória, não somente para quem tiver interesse em economia política e ética da informação, mas para quem quer entender o nosso tempo. Bezerra, contudo, faz mais do que extrair criteriosamente o sumo da literatura teórica e documental de referência mais atual: ele o faz municiado de um instrumental conceitual robusto, de extração marxiana, que lhe faculta operações crítico-analíticas de maior envergadura quando operam em níveis mais altos de abstração e ao mesmo tempo precisas no trato do detalhe teórico ou empírico.

Dentre as análises mais finas, destaco a perspicácia do autor ao denunciar a captura da causa cidadã de uma internet livre pelas corporações, mormente dos Estados Unidos, convertendo-a no lobby por uma internet desregulada; ou a corrupção da ética do compartilhamento em empreendimentos altamente lucrativos de mediação entre usuários e provedores de serviços, à margem de legislações trabalhistas; além de diversas outras análises desveladoras dos múltiplos movimentos de ocultamento do que essencialmente está em jogo por trás das aparências lúdicas, clean e úteis das telas brilhantes e conexões invisíveis.

 

Conselho Editorial: Maria Nélida González de Gómez, Rafael Capurro, Marcos Dantas, Cesar Bolaño e Marco Schneider

Comitê Científico AD HOC: Ana Regina Rêgo (UFPI), Helena Martins (UFC), Nina da Hora (Instituto Da Hora), Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG), David Nemer (University of Virginia), Manoel Dourado Bastos (UEL), Marco Antônio Almeida (USP), Rodrigo Moreno Marques (UFMG) e Sergio Amadeu da Silveira (UFABC).

 

Lançamentos em 2024 (agenda em constante atualização)

 

JULHO

01.07 (18h) - Lisboa, Portugal (no Edicic - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Anfiteatro III)

11.07 (17h) - Coimbra, Portugal (no Media Ethics - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Anfiteatro III )

18.07 (18h) - Rio de Janeiro (na Casa Porto - Largo São Francisco da Prainha nº 4 - Saúde, RJ)

31.07 (17h) - Brasília (na livraria Sebinho - CLN 406, Bloco C, loja 44, Asa Norte, Brasília, durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª CNCTI)